Hoje lançamento de mais um livro de Araquém Alcântara – fotógrafo integrante do SambaPhoto
15 de dezembro de 2009 by Juliane


Nesta quinta-feira conheça uma coleção de livros especiais com a participação de três fotógrafos do Samba: Bob Wolfenson, Cristiano Mascaro e Pedro Martinelli.

Enviado por Monica Vendramini:
Monica Filgueiras Galeria de Arte inaugura a exposição da artista plástica e fotografa Monica Vendramini. POMOS 21, titulo dado pela artista que aguardava o momento certo para utilizar a palavra, exibe 5 séries produzidas nos últimos vinte e cinco anos de trabalho, com 36 registros fotográficos, um poema bordado e o lançamento do inédito livro de artista – POMOS 21.
A artista pensa a mostra, um diário exposto, como um grande auto-retrato pois vem da decisão de compartilhar, com o público, seus diários de viagem e cadernos de anotações, onde foram registrados ao longo dos anos, pensamentos e poemas.

Monica Vendramini expoe as várias etapas de sua vida em séries: Trilhas, Retratos, Lápides, Textos e ‘Jardim de Monet’. Os temas variam entre registros de trilhos de trem que exibem os caminhos para vários lugares, criando a sensação de tempo parado no espaço; auto-retratos produzidos ao longo de anos; registros em diversos cemitérios pelo mundo, apos ter sentido a calma, tranqüilidade e ausência de tempo que esses locais contem; manuscritos originais retirados de anotações e as fotos do Jardim de Monet, em Giverny, França.

Monica Vendramini, expondo suas reminiscências, define que seu grande tema é o TEMPO. Junte-se à temática seu carinho pelas palavras, vemos na literatura e nas poesias sua inspiração. Uma palavra ou frase que a toque, torna-se anotação. Esse pedaço de papel, a seu tempo, será o gatilho para um novo trabalho. As influencias param nesse ponto; quando a artista está em processo de criação, prefere que sua mente esteja livre de influencias tornando-se fiel às sensações originalmente despertadas.

Monica Vendramini, com a exposição, lança o livro POMOS 21. “Essa exposição – POMOS – veio da necessidade quase fisiológica de lançar o livro POMOS. Um não existe sem o outro, um nasceu do outro e ambos são uma coisa só: um auto-retrato, un portrait, a self portrait” diz a artista.
POMOS 21, o livro, é o diário de uma vida; o modo mais enfático de uma pessoa falar de si mesma. Com tiragem limitada de 200 exemplares, numerados e assinados, possui capa de algodão com medalha em porcelana com pó de ouro, costurado a mão, publicado pela Chiaro Editora. Diversos tipos de papel – arroz, seda, japonês, rústico, metalizado – poemas ou frases importantes, definições de palavras chave, cartões de embarque de viagens reais, mapas, itinerários, caminhos, poesias, fotografias, bilhetes de exposições, pedaços de vida. Os fatos, ou atos, dignos de registro foram cuidadosamente colocados no livro. Monica Vendramini nos apresenta sua essência em forma bruta, sem retoques, uma exposição completa da artista por traz da câmera.
“Quando fui morar no Japão em 1987, meu pai me disse para escrever um diário de viagem, pois seria interessante na volta guardar essas lembranças por escrito. Achei engraçado esse conselho, vindo do meu pai que era uma pessoa quieta, fazia sentido ele me dizer isso, e eu o fiz. Desde então, nunca parei de escrever diários …. digo “diários porque não sei ao certo para quem escrevo”, apenas escrevo: pensamentos, idéias, poemas”.
A rotina, transformada em hábito, de Monica Vendramini, inicialmente por sugestão paterna, permitiu a criação de um livro-arte e de uma exposição: POMOS 21!.
Onde?
- Monica Filgueiras Galeria de Arte: R Bela Cintra, 1533
- 6/10, 3a. feira às 20h
Quando?
- 6/10, 3a. feira às 20h
Quanto?
- na faixa!
Até 31/10

Fim de semana chegando…
Sem programa pro sábado a tarde? Que tal um coquetel de lançamento?
O fotógrafo Marcos Piffer lança, amanhã, seu livro “Flora – Inventário Particular de Espécies da Mata Atlântica”.
Vamos comemorar a chegada da Primavera contemplando essas lindas imagens da flora Brasileira!


Onde?
- Livraria da Vila, do Shopping Cidade Jardim
Quando?
- Amanhã, sábado (03/10) a partir das 16hs
Quanto?
- na faixa!
A partir das 20 hs, na Casa das Rosas, Maurício de Paiva (nosso mais novo ‘Sambista’) lança o livro do seu lindo trabalho sobre a Amazônia.
Amazônia Antiga – Arqueologia no entorno, além de belíssimas imagens, conta com o texto de Mônica Trindade Canejo.
Além do lançamento, Maurício expõe imagens que fazem parte do livro e ainda nos traz o Professor Dr. Eduardo Goés Neves (MAE-USP), para falar sobre Arqueologia na Amazônia
Vale a pena conferir! Vamos lá?
Quando?
- Hoje, dia 30/09
Onde?
- Casa das Rosas, que fica na Avenida Paulista, 37 – a partir das 20 hs
Quanto?
- É na faixa!

Enviado por Mauricio de Paiva, o mais novo fotógrafo do Samba:
Era uma vez um fotógrafo, destes que gostam de passar meses viajando pelo interior do Brasil. E que, numa viagem de barco entre Belém do Pará e algum ponto Amazônia adentro, ouviu um caboclo dizer que, lá na vila onde morava, se encontravam muitas ‘pecinhas’. As tais pecinhas eram, na verdade, fragmentos de cerâmica arqueológica, o que rendeu uma nova viagem, desta vez na companhia de um repórter, Henrique Skujis, e uma nota para a National Geographic Brasil.

Fosse este outro fotógrafo e a história terminaria aí. Mas Maurício de Paiva, que desde 2003 se embrenhava pelo Pará atrás de temas como a pesca artesanal e o estrativismo, é, além de uma pessoa com ótimo faro para boas pautas, alguém que precisa mergulhar sempre um pouco mais. Foi assim que recebi, em 2005, o convite para viajar com ele novamente à Vila Tessalônica, no Município de Afuá, no Arquipélago de Marajó, no Pará. Se você pensa que se trata de uma comunidade muito pequena, com casinhas de madeira a beira de algum belo rio nos confins da Amazônia, acertou em cheio.

Foram quinze dias dentro de um barco, visitando esta e outras comunidades, conversando com os ribeirinhos, comendo açaí e encontrando peças seculares, deixadas por povos ancestrais. Alguns lugares eram a várias horas de caminhada, outros nos deixaram literalmente atolados em lama até a cintura e houve também os dias de febre e dor de barriga. Mas o mais marcante era ver de perto um objeto de cerâmica – pratos, vasos, urnas funerárias – e saber que ele havia sido moldado há muito tempo, sabe-se lá por quais mãos. Era esta pessoa, este artesão remoto, com sua identidade perdida no tempo, que nos trazia brilho aos olhos.

De volta a Belém, uma conversa com a arqueóloga Denise Pahl Schaan, uma especialista na cultura marajoara, nos deixou ainda mais envolvidos. A maioria de nós aprendeu na escola que a Amazônia é um lugar onde grupos humanos se desenvolviam modestamente. Denise nos mostrava que não, apoiada em vestígios deixados por vários povos, principalmente os marajoara, que ela afirma terem tido uma sociedade complexa, com uma cultura bastante elaborada. E, por que não, comparável a dos Incas.

O material produzido por nós nesta viagem se transformou numa outra matéria para a National Geographic. E quanto mais pesquisávamos para compor o texto, mais fascinante o assunto nos parecia. O que mais nos impressionava era a ignorância fora dos meios acadêmicos. Era só perguntar para qualquer pessoa – amigos, editores, fotógrafos- o que ela sabia sobre arqueologia na Amazônia e a resposta era sempre a mesma: “nada”.

Espalhar a ‘notícia’ de que esta região, antes da fatídica chegada dos europeus, era um movimentado cenário para o intercâmbio cultural e comercial de populações numerosas e sofisticadas foi se tornando um dever nosso. E, quando percebemos, esta tal noticia já era tão grande para nós que não houve por onde escapar. Vamos fazer um livro!
(Alexandre Dórea, da DBA Editora, disse uma vez que “fazer um livro de fotografias é um ato heróico”. E foi ele quem procuramos para esta jornada).
Durante os anos seguintes, Maurício fez mais de 10 viagens, quase sempre em companhia de grandes pesquisadores, como o doutor Eduardo Góes Neves, um dos mais atuantes na região. Amazônia Central, Amapá, Santarém, Acre…Subindo o Rio Negro, descendo o Solimões, beirando o Tapajós, Unini, Madeira e,claro, navegando o Amazonas. Em cada sítio arqueológico, vestígios de velhas ocupações humanas. Em seu entorno, novas ocupações humanas. Sociedades que foram se sucedendo, como se fossem camadas sobrepostas nos tempo. Coincidência que, onde morou gente, hoje ainda more? Em alguns momentos, a reflexão escapava da lógica histórica e esbarrava feliz nas franjas do sobrenatural, em conversas de caboclos contando visagens, em lendas da cobra grande, em surdos encontros sobre aterros funerários. As bordas e rebordas do tempo, que pareci a ir e voltar sempre ao mesmo espaço.

Nos muitos meses em campo, nas salas de aula do Museu de Arqueologia e Etnologia da Usp (MAE) ou nas incontáveis páginas lidas e relidas durantes as pesquisas, cada vez mais nos saltava aos olhos uma Amazônia diferente daquela que estamos acostumados a ver na mídia. Biodiversidade, preservação, ecologia. Exploração comercial, agropecuária, turismo. De um lado, ambientalistas defendendo o paraíso na terra. De outro, negociantes interessados em lucrar com os bens da florestas. Não que tivéssemos deixado de lado estas questões. Apenas estávamos vendo outra: o passado remoto ainda tão recentemente pesquisado, tão inacessível ao público leigo.
A Amazônia que estávamos vislumbrando era predominantemente humana. Um lugar onde o homem, há mais de onze mil anos, assentou os alicerces de sua morada. E nunca mais arredou pé. O homem amazônico, que pesca, que planta, que caça, que colhe castanhas e trança cipó. Que faz a rocinha de mandioca, para depois colher, descascar, torrar, farinhar, saborear.
Foi de olhos postos neste ser humano – tão antigo, tão atual – que passamos os últimos anos. O resultado é um grande livro, um conjunto de mais de cem imagens que retratam este modo de vida, tão arcaico e tão contemporâneo, em suas sutilezas diárias. Uma delicada reflexão sobre presença humana num ambiente considerado um bem de todo o planeta.
E pensar que tudo começou com uma conversa de beira de rede, do caboclo paraense com o paulista viajante…
Mônica Trindade Canejo, setembro de 2009

“O Brasil é um dos últimos países onde podemos experimentar a presença de uma natureza intocada e no limiar de sua transformação. Este trabalho é uma reflexão sobre esse momento onde a fotografia é feita de paisagens híbridas e o espectador participa da própria construção da imagem.
A proposta do livro é mostrar o corpo desta pesquisa que vem sendo desenvolvida há 5 anos num conjunto em que se veja o tratamento conceitual e plástico que caracteriza a construção das imagens desta série.”
O lançamento será hoje, 11 de setembro, às 19h durante a SP-Arte Foto/2009
Shopping Iguatemi
Av.Brig Faria Lima, 2232 – 9o. Andar
Galeria Baró Cruz, H.A.P Galeria e Ed.Punctum (Roma)