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O retrato profundo da saúde brasileira por André François

Durante os meses finais de 2011, mais precisamente entre os dias dois de novembro e quatro de dezembro, ocorre no parque do Ibirapuera a Bienal de Arquitetura de São Paulo. A Bienal chega com o tema “Arquitetura para todos: construindo cidadania” e para aumentar a discussão ocorre a exposição do fotógrafo André François.

A exposição A Curva e o Caminho conta com uma seleção de imagens realizadas pelo fotógrafo em seu projeto documental de registro das condições de saúde no Brasil. As imagens apresentam a peregrinação dos brasileiros em busca por saúde, com uma abordagem muito delicada e profunda, com um preto e branco intenso e tocante.

André François é fundador da organização ImageMagica, que tem o objetivo de utilizar o poder da imagem para desenvolver a percepção e a reflexão sobre temas de interesse público, visando a transformação social. Desde 2005 constrói um abrangente caleidoscópio de imagens sobre a saúde, registrado em quatro livros. François recebeu por este trabalho o Conrado Wessel, em 2008. No ano seguinte, a Coleção Pirelli/Masp de Fotografia adquiriu imagens de seu portfólio. Dando um respaldo cada vez maior a este projeto fotográfico.

As imagens desta exposição são realmente muito fortes. Percebe-se através do olhar de André François a imensa falta de estrutura da qual o Brasil ainda padece. É interessante também perceber a diferença de abordagem médica nas diferentes regiões do país. Às vezes parecem tempos distintos, tamanha a desigualdade.

François é consciente da importância deste registro fotográfico “acredito que esta exposição possa contribuir com uma reflexão sobre a importância de se criar espaços mais funcionais e, ao mesmo tempo, mais humanos. É pensar como podemos utilizar os espaços, adaptá-los para que o acesso esteja disponível a todos, seja ligado à saúde, à moradia ou ao ambiente de trabalho”.

A Curva e o Caminho é realmente um trabalho muito profundo e com uma carga política e social muito interessante, tem que ser visto, mas principalmente discutido, ampliando os questionamentos presentes nestes belíssimos registros em preto e branco.

A exposição está na Bienal de Arquitetura, na Oca, no parque do Ibirapuera, até o dia quatro de dezembro. As visitas ocorrem de terça a sexta-feira, das 10h às 22h.

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